terça-feira, 3 de março de 2009

Não sou culpado

Não me culpes,
Não fiz por mal.
Te quero bem, muito bem.

Não me culpe por eu ser quem sou
Nem por ser como sou.
Sou somente eu mesmo.
Nem um tanto a mais,
Nem um pouco a menos.

Se escrevo doce
E meu canto te agrada
Nada tenho de culpa
Mesmo que carregue
Esta culpa, que não tenho, em mim.

Sei que tuas lágrimas quase te afogaram
Também sei que elas tinham o gosto de minha boca
Mas creia, não fiz nada por mal
Nem de caso pensado.

E se teu coração ainda se prende a mim,
Liberta-o,
Pois não usei amarras e nem algemas
Que não fossem simples músicas
Ou versos simples de um escriba amador

E se perfurei teu peito tanto
Que a ferida demora a curar
O unico remédio que realmente te ajudará
É meu silêncio.

Tenha em mim um amigo, um irmão
E não um homem, que não pode te dar o coração.

Sim, sou eu.

E, eis que sou ele.
Aquele, que por muitos é procurado
Por tantos motivos e razões
Sou eu, me atrevo a dizer.

Consigo, com meu egocentrismo
Pensar que sou invencível,
Intocável, irrevogável.

Mas, se estou errado, diga-me:
Conheces alguém tão bom ou tão mau?
Conheces alguém que, com tanta facilidade
Arranca um sorriso após uma agressão?

Consigo ser aquele que é odiado e amado.
Ninguém me fala tão mal, que não venha um bem depois
E ninguém consegue renascer tantas vezes.

Sim, sou eu.
Eu sou a espada entregue em tua mão para que me mates,
Sou o escudo que usas para me defender de ti mesmo.
Sou indestrutível, como poucos, numa guerra que todos travam
De si, consigo mesmo.

Nobres Referências

"Falar mal das mulheres é costume de
todo amante que não foi feliz.
Um coitado, mordido de ciúmes,
tudo maldiz e se maldiz...
Pois confesso que nisso se resume
O que fui, o que fiz."

A máxima acima é de Vicente de Carvalho, poeta santista, morto em 1924, conforme li em um livro de Manoel Carlos, que ganhei de uma pessoa muito especial, uma grande amiga, a quem quero muito bem.

E nas frases de Vicente existe uma plena verdade. Muito falei mal de mulheres, e das mulheres, tanto das que tive, quanto das que não tive em meus braços. Assim como, creio eu, tenham falado mal de mim um tanto também. Mas bem-dizeres e maldizeres à parte, eu tenho que concordar. Das poucas que passaram pela minha vidinha, quase nenhuma não teve um "senão", talvez nenhuma. O incrivelmente interessante é que isto agora já não importa mais. E fui me lembrar destes "senãos" ao ler este trecho do livro, por prestar atenção, pois, se estivesse meio distraído, com certeza não lembrar-me-ia de nada disto. A verdade mais absoluta que tenho a tirar deste trecho, é que não importam mais pra mim os defeitos das amigas, amantes ou esposas que por minha vida passaram. Isto acontece pelo simples fato de eu estar amando e sendo amado à mesma altura, por uma pessoa de nível intelectual e atitudes similares.
Ou seja, a máxima de Vicente é realmente uma Máxima, daquelas com M maiúsculo. Não importa o que houve de errado nos tempos passados. A única coisa que importa sobre erros são os MEUS erros. E estes eu não posso, não quero, não preciso e, logo, não irei cometer. E por isto perde-se qualquer importância em mau-falar de qualquer mulher. E se hoje sou assim é porque sou bem amado. E amo incondicionalmente. E como meu falar não se dedica mais a destilar veneno sobre as mulheres passadas, sobram palavras para enaltecer minha amada, a quem só tenho flores a entregar durante muitos e muitos anos.